domingo, 12 de dezembro de 2010

Estou ficando velha?

Chega uma hora na vida que você começa a se perguntar isso. E honestamente, acho que pouco tem a ver com a tua idade, e sim com a tua experiência de vida.
Engana-se quem pensa que vou aqui pregar como uma pessoa que sabe e já passou por tudo, nope, eu ainda acho que tenho que comer muito arroz e feijão pra dizer isso, mas em relação a um assunto eu posso opinar: Shows de Rock, Pop, Brit Pop e afins. E devido a toda a histeria com a turnê 360° do U2 resolvi escrever umas palavrinhas.
Estou aqui com o site U2.com aberto pensando se me re-afilio ao fã-clube da banda, eu que fui membro do Propaganda por anos, não sei se quero isso novamente.
Meu amor pelo U2 começou na tenra idade, tudo culpa do meu irmão, Silvio, que pra não ter que ouvir Menudo e sua famosa Não se reprima, me falava que Ramones, U2, Smiths, The Cure, e tudo dos anos 80 eram ótimas bandas, e Menudo era um porre (a gente tinha que dividir a vitrola, ou seja, se eu ouvisse o que ele gostava também, ele saía no lucro). Esse @roleplay sempre foi um gênio... um dia ainda conto como ele me convenceu a pedir um Torak e não uma Barbie no Natal.
Então, apesar de ter um brinco do Rick Martin e do Rob, eu tinha um gosto musical bem melhor. E aquele álbum, com um menino com o lábio machucado, me chamou a atenção. As músicas tinham uma força incrível, e os poucos clips que passavam na TV Bandeirantes também eram bacanas, decidi adotar essa banda como a minha favorita, e não me arrependi.
Foram 23 anos, ou mais, de amor. Não importava o quão estranho fosse o álbum, eu estava lá, sempre ouvindo e sabia todas as letras das músicas (sei até hoje). Tenho inúmeros livros sobre a banda, e incontáveis álbuns piratas adquiridos nas Grandes Galerias em São Paulo. Ou seja, se você ainda tem alguma dúvida sobre o quanto eu curto U2, pare de ler agora.
E então, em 1998, a banda pisou pela primeira vez em solo brasuca, lembro que fomos de Araraquara a Ribeirão Preto comprar os ingressos pros shows da turnê PopMart nas lojas C&A, a “fila” era de 6 pessoas, e nós compramos nossos ingressos na maior calma, e fomos muito bem tratados pelos funcionários da loja. Ninguém melhor que meu irmão pra me acompanhar a esse show (tudo bem, quando eu entrei no Morumbi, eu disparei pelo gramado, e cheguei a grade, quando olhei pra trás, meu irmão tinha sumido...). O show foi perfeito, era um sonho se realizando. Não vou comentar sobre a zona que foram as vendas de ingresso em 2006 e 2010, só vou falar uma coisa: a banda sabe do que aconteceu/acontece, e não está nem aí. O Bono não apita nada nisso, quem apita é o Larry e Paul McGuinness, e os caras tem um único intere$$e.
De 1998 aos dias atuais, uma coisa mudou no U2: o Bono conseguiu ficar mais megalomaníaco, e sua Cruzada a lá Madre Tereza de Calcutá é um pé no saco (sim, eu falo palavras de baixo calão). Na boa, o cara é o vocalista de uma banda de rock famosa, assim como Mick Jagger é vocalista dos The Rolling Stones, Thom Yorke do Radiohead, e Paul McCartney foi dos The Beatles. A grande diferença entre Bono e os demais citados é: Bono deixou de ser profissional, os outros não.
Ao meu ver, Bono não soube lidar com o peso de ser um rock star. Começou a atirar para todos os lados, está pior que arroz de festa, não digo nada se durante sua passagem pelo Brasil, a Madre Tereza não bata o pé e suba o Morro do Alemão, e carregue no colo umas criancinhas. Bono se vendeu... não se contenta mais em ser “apenas o vocalista de uma banda” ele precisa de mais holofotes, e com isso a banda, a música e os fãs sofrem.
Fui a muitos outros shows, do U2 e de outras bandas, acho que o único show que eu queria ter ido e perdi por compromissos de trabalho foi o Radiohead. Sendo assim, após a euforia pós anúncio que a turnê 360° viria ao Brasil, me encontro num dilema: ir ou não ir.
Se eu for a um show do U2, eu quero ouvir músicas, de boa qualidade. Um ou outro comentário sobre um tópico político/humanitário vá lá, mas se a coisa descamba pra algo tipo convenção de evangélicos, é falta de respeito ao público. Simples assim. A voz do Bono já não segura alguns (momento fã, na verdade são muitos) agudos... Ou seja, ir ao show, e perceber que tua banda favorita está indo virando água, ou ficar com as recordações épicas do passado?
Seilá, às vezes acho que estou ficando velha, e com isso ranzinza e a cada dia mais seletiva em relação aos micos que quero pagar.

"A diferença entre eu e Bono Vox é que ele fica completamente feliz em elogiar pessoas para conseguir o que ele quer, e ele é muito bom nisso, mas eu simplesmente não posso fazer isso.” Thom Yorke.

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